História de Sosai Mas Oyama na América
O que realmente aconteceu em 1952, quando Masutatsu Oyama, o lendário fundador do Karatê Kyokushin, viajou para os Estados Unidos.
Por Kyokushin Registro
Jornalismo
A jornada de Mas Oyama pelos Estados Unidos em 1952 marca o nascimento de um dos maiores mitos das artes marciais modernas. Acompanhado pelo judoca Kokichi Endo, Oyama desembarcou em Chicago para integrar o circuito de luta livre profissional sob o pseudônimo de Mas Togo. Embora a cultura popular frequentemente descreva essa viagem como uma sequência épica de centenas de combates invictos, os registros históricos sugerem uma realidade mais voltada ao entretenimento e à promoção do caratê como uma arte letal.

No início da turnê, o foco principal eram as exibições de força. Oyama enfrentou a desconfiança do público americano, que chegou a vaiar seus primeiros katas. No entanto, ele rapidamente conquistou a plateia ao demonstrar o tameshiwari (quebramento). Após uma falha inicial nervosa, ele conseguiu partir pilhas de tijolos e pedras com as mãos nuas, o que lhe rendeu o apelido de "Thunderbolt Togo". O marketing da época era agressivo, descrevendo-o como um homem capaz de arrancar órgãos com os dedos e de ter treinado nas montanhas para transformar seu corpo em uma arma de guerra.

Dentre os poucos confrontos reais documentados, o incidente em Des Moines, Iowa, é o mais emblemático. Tudo começou com um desafio de mil dólares para quem conseguisse quebrar um tijolo. Um policial local e praticante de judô falhou na tentativa e, sentindo-se humilhado, desafiou Oyama para uma luta. O combate terminou rapidamente quando Oyama desferiu golpes no corpo que resultaram em sete costelas quebradas para o oficial. O clima de tensão escalou para um quase linchamento, alimentado por fortes tensões raciais da época, forçando Oyama e seu parceiro a fugirem da cidade escoltados pela polícia sob o som de disparos.
Outros relatos mencionam lutas contra figuras como o gigante Dick Real e o ágil boxeador George Becker. Em cada relato, destaca-se a eficiência brutal do estilo de Oyama, que priorizava nocautes rápidos através de golpes diretos no plexo solar ou pontos vitais. Apesar dessas histórias, historiadores marciais apontam contradições nos números: enquanto livros posteriores falam em 270 vitórias, escritos do próprio Oyama feitos logo após a viagem mencionam apenas três combates principais contra profissionais.
Independentemente do exagero nas cifras, a passagem de Mas Oyama pela América cumpriu seu propósito maior. Ele não apenas sobreviveu ao rigoroso circuito de luta livre, como também utilizou o palco do entretenimento para provar a eficácia do caratê em uma época em que a arte era praticamente desconhecida no Ocidente. Essa turnê foi o alicerce para a fundação do estilo Kyokushin, consolidando a imagem de Oyama como o homem que buscava a verdade através do combate real.